A pílula de emagrecimento Foundayo, da Eli Lilly, deu um passo decisivo na Europa. No dia 15 de outubro de 2026, o comitê de medicamentos da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou a aprovação do remédio para controle de peso e tratamento do diabetes tipo 2 em adultos. Falta a decisão final da Comissão Europeia, que costuma seguir a recomendação do comitê.
O Foundayo é um comprimido diário de orforglipron, que ativa o receptor GLP-1, o mesmo mecanismo das injeções famosas: menos apetite e estômago mais lento. Por ser uma molécula pequena, e não um peptídeo, o comprimido é absorvido como um remédio comum, sem jejum e sem espera antes de comer.
O que os estudos mostraram
A recomendação para controle de peso se baseou em dois estudos com mais de 4.700 adultos com obesidade ou sobrepeso. Depois de 72 semanas, os participantes perderam entre 5% e 11% do peso corporal, dependendo da dose. No grupo do placebo, a perda ficou entre 2% e 2,5%.
No diabetes tipo 2, quatro estudos com 3.765 adultos mostraram redução de 1,2 a 1,9 ponto percentual na hemoglobina glicada. Os efeitos colaterais mais comuns foram gastrointestinais, concentrados na fase de aumento de dose.
O Foundayo já está à venda nos Estados Unidos desde abril de 2026 e no Reino Unido desde agosto, com pedidos de aprovação em mais de 40 países. O mercado de tratamentos para obesidade pode passar de $100 bilhões até 2030.
Por que a pílula importa para a Eli Lilly
A Eli Lilly já domina o mercado de injeções para diabetes e obesidade. No segundo trimestre de 2026, a empresa faturou $23 bilhões, alta de 48% em um ano. O Mounjaro gerou $9,9 bilhões e o Zepbound, $4,9 bilhões. Juntos, os dois injetáveis responderam por quase dois terços da receita do trimestre.
A pílula ataca o limite desse modelo. Muita gente não aceita uma injeção semanal, por medo de agulha, custo ou rotina. Os primeiros dados de prescrição nos Estados Unidos sugerem que o formato oral pode atrair pacientes que hoje ficam fora do mercado. E a Lilly tem participação menor entre os tratamentos não injetáveis do que entre os injetáveis. É justamente aí que o Foundayo compete.
O começo, porém, é modesto. No segundo trimestre, o Foundayo vendeu $98 milhões, uma fração dos bilhões das injeções. A própria Lilly admitiu um início mais lento que o esperado nos Estados Unidos, embora o volume da última semana de julho tenha quase dobrado em relação a um mês antes.
O teste que decide a história
A aprovação europeia abre a porta, mas não garante a venda. O movimento certo para acompanhar qualquer lançamento de remédio é olhar a curva de adoção, não o carimbo do regulador.
Na quinta-feira, dia 29, sai o balanço do terceiro trimestre. Compare a receita do Foundayo com os $98 milhões do segundo trimestre. Se o volume seguir dobrando, a porta virou mercado. Se travar, a notícia boa fica só no papel.
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