O balanço do Spotify 3T26, divulgado em 22 de outubro, parecia uma decepção à primeira vista. O lucro por ação diluído ficou em €2,48, abaixo dos cerca de €2,84 esperados pelo mercado. Mesmo assim, a ação subiu no pré-mercado. O motivo está nos números operacionais, não no lucro por ação.
A receita do trimestre foi de €4,969 bilhões, alta de 16% na comparação anual e de 14% em moeda constante. A maior parte veio das assinaturas: a receita Premium somou €4,487 bilhões. A receita de publicidade, que vinha crescendo 3% em cada um dos dois trimestres anteriores, acelerou para 9% em moeda constante.
Spotify 3T26: assinantes acima da projeção e margem em alta
O número central do trimestre foi a base de assinantes. O Spotify terminou setembro com 306 milhões de assinantes Premium, 9% a mais que um ano antes. Foram 6 milhões de adições em três meses, um milhão acima da própria projeção da empresa, que era de 305 milhões. Os usuários mensais chegaram a 788 milhões, alta de 11% em um ano.
A margem bruta chegou a 33,0%, alta de 136 pontos-base sobre o ano anterior e acima da projeção de 32,9%. O lucro operacional foi de €672 milhões, alta de 15%, com margem operacional de 13,5%. O fluxo de caixa livre somou €735 milhões no trimestre e €3,2 bilhões nos últimos doze meses. O caixa em banco é de €9,9 bilhões, sem dívida fora os arrendamentos. No ano até 21 de outubro, a empresa recomprou 2,2 milhões de ações por $1,1 bilhão, o suficiente para neutralizar a diluição dos programas de remuneração em ações.
Quando abriu o capital em 2018, o Spotify tinha 71 milhões de assinantes. Desde então, somou 25 milhões ou mais por ano, segundo o co-CEO Alex Norström. Para o quarto trimestre, projeta 316 milhões de assinantes, 818 milhões de usuários mensais, receita de €5,2 bilhões, margem bruta de 33,8% e lucro operacional de €820 milhões. Também planeja levar os audiobooks de 22 mercados para mais de 180 até o fim do ano.
O critério para ler uma empresa de assinatura
O caso do Spotify deixa um critério reutilizável para qualquer empresa de assinatura. O lucro por ação carrega de tudo, de encargos financeiros a efeitos do preço da ação sobre encargos com funcionários, e pode cair num trimestre em que o negócio vai bem.
O movimento certo é começar por três números do release. Primeiro, os assinantes contra a projeção da empresa: 306 milhões contra 305 milhões. Depois, a margem bruta: subiu de 31,6% para 33,0%. Por fim, o lucro operacional e a projeção do próximo trimestre: €672 milhões agora, €820 milhões projetados. Quando os três andam juntos, um lucro por ação abaixo do esperado é ruído, não tese. A pergunta que fica é se o preço de hoje já pagou por essa máquina. Isso só o valuation de cada investidor, com as próprias premissas, responde.
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