A Taiwan Semiconductor Manufacturing (TSM) divulgou nesta quinta-feira (15/10) o resultado do terceiro trimestre de 2026: lucro líquido de NT$ 763,06 bilhões, alta de 68,7% na comparação anual, acima do esperado pelos analistas. Foi o sexto trimestre consecutivo de lucro recorde da companhia, a maior fabricante de chips sob encomenda do mundo.
A receita chegou a NT$ 1,494 trilhão (cerca de US$ 46,7 bilhões), também acima do próprio guidance da empresa, e a margem bruta ficou em 66,4% — patamar típico de empresa de software, não de fábrica. A leve queda em relação ao trimestre anterior se explica pela diluição inicial da produção em 2 nanômetros, a tecnologia mais avançada da companhia.
O motor do resultado é a inteligência artificial. Chips de 7 nanômetros ou mais avançados responderam por 79% da receita de wafers no trimestre, com o 3nm representando 33% e o 2nm saltando de 3% para 8% em apenas um trimestre. A plataforma de computação de alto desempenho — data centers de IA — subiu para 68% da receita, contra 57% há um ano.
Para o quarto trimestre, a TSMC projeta receita entre US$ 52,3 bilhões e US$ 54,3 bilhões, o que representa cerca de 58% de crescimento ano a ano. O presidente da companhia, C.C. Wei, afirmou que o hiato entre a demanda e a oferta de chips de ponta "ainda é bem grande". O capex de 2026 a 2028 deve superar "significativamente" o dos três anos anteriores, com quase 20 fábricas em construção no mundo.
O contraste é que o mercado não comemorou de imediato: a ação americana da TSMC acumulou alta de cerca de 60% em 2026, mas entrou no resultado negociada cerca de 12% abaixo da máxima histórica, após recuar quase 8% em setembro em meio ao temor de uma bolha nos gastos com IA. O investidor precisa decidir se o preço atual já precifica o próximo ciclo de crescimento — ou se a fila física de pedidos conta uma história que o medo ainda não enxergou.
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