As ações da CrowdStrike fecharam a sexta-feira (23) a $257,57, alta de 8,25% no dia e de cerca de 13% na semana. O movimento veio junto com todo o setor de cibersegurança: na mesma semana, a Zscaler subiu 23%, a Okta 14% e a Palo Alto Networks 11%. O gatilho foi a divulgação, na quarta-feira (21), de duas falhas críticas no PHP, linguagem usada por cerca de 70% dos sites, seguida na sexta por uma pesquisa da Evercore ISI indicando orçamentos de segurança mais fortes no fim do ano.
O que é a PHP2Shell, a falha que moveu a CrowdStrike
As duas vulnerabilidades, batizadas de PHP2Shell, receberam nota 9,2 de gravidade, na faixa "crítica". Segundo a própria CrowdStrike, um único pedido anônimo pode fazer o servidor executar um comando escolhido pelo invasor, sem senha e sem registro de erro nos logs. As falhas estão presentes em todas as versões das séries 7 e 8 do PHP e existem há mais de sete anos. As brechas foram encontradas com ajuda de inteligência artificial, e o presidente da Palo Alto, Nikesh Arora, resumiu a expectativa do setor: "Vamos ver mais disso, não menos". Na sexta, a pesquisa trimestral da Evercore com revendas de produtos de segurança apontou orçamentos se fortalecendo até o fim do ano e citou CrowdStrike e Palo Alto como as principais beneficiadas pelos gastos com segurança de IA.
Os números da CrowdStrike antes da alta
O negócio chegou forte a esse momento. No segundo trimestre do ano fiscal de 2027, encerrado em 31 de julho, a CrowdStrike faturou $1,47 bilhão, alta de 26%. A receita recorrente anual, que soma o valor anualizado das assinaturas, chegou a $5,84 bilhões, alta de 25%, e a empresa adicionou um recorde de $332,8 milhões em receita recorrente nova no trimestre. O fluxo de caixa livre foi de $377,4 milhões, contra $283,6 milhões um ano antes.
Há, porém, uma diferença grande entre os dois lucros: o lucro líquido contábil foi de apenas $5,3 milhões, enquanto o ajustado chegou a $322,9 milhões. A maior parte da distância vem de $399 milhões em remuneração paga em ações aos funcionários, cerca de 27% da receita do trimestre. É uma despesa que não sai do caixa, mas dilui o acionista.
O critério para separar notícia de receita
A própria Evercore escreveu que a falha pode acelerar trabalhos de correção, mas que o tamanho da receita adicional é incerto. E há o calendário: o terceiro trimestre fiscal da CrowdStrike termina em 31 de outubro, apenas 10 dias depois da divulgação das falhas. Se o susto virar contrato, a maior parte deve aparecer nos trimestres seguintes. Enquanto isso, o preço já subiu. Pela conta simples, a $257,57 a ação negocia a cerca de 205 vezes o lucro ajustado por ação que a empresa projeta para o ano fiscal ($1,25 a $1,26), e a cerca de 44 vezes a receita projetada (de $5,99 bilhões a $6,01 bilhões).
O movimento vale para qualquer ação que sobe com uma notícia: antes de pagar pelo evento, pergunte em qual linha do balanço ele vai aparecer e quando. Na CrowdStrike, essa linha é a receita recorrente nova. A pergunta que fica é se a alta da semana antecipou uma demanda real por segurança ou apenas precificou o medo de uma nova falha.
Separar o que é evento do que é recorrente também foi o tema da análise da American Express nesta semana, onde a pergunta era quanto do lucro se repete.
No Factus Invest, você pode calcular o valor justo da CrowdStrike com suas próprias premissas e comparar com o preço de mercado. A plataforma traz os fundamentos históricos da companhia para apoiar a sua análise.