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Micron (MU): ação cai 15% na guerra da memória

A Micron perdeu quase 15% do valor de mercado em uma semana. De quase US$ 1.030 no dia 9 de outubro para US$ 879 no dia 16, a ação da fabricante americana de memória foi o símbolo da pior semana do Nasdaq desde junho — e o gatilho veio de dois lados: um debate público de Elon Musk e um anúncio na China.

O que aconteceu com a Micron nesta semana

Na segunda-feira (12/10), a chinesa ChangXin Memory Technologies (CXMT) anunciou progresso em uma nova arquitetura de células de memória e disse que pode lançar um produto de memória para servidores até o fim do ano. O mercado leu o recado como o início do fim da escassez que enriqueceu as fabricantes de memória — e vendeu o setor inteiro na hora.

No dia seguinte, Elon Musk entrou no debate no X. Respondendo a um resumo de uma nota do JPMorgan sobre o setor, Musk escreveu que a Micron tem sido "razoável" nos preços futuros de memória, enquanto outros fornecedores cobram preços "abusivos" — algo que, segundo ele, os clientes não vão esquecer. Dois dias depois, porém, Musk publicou outra mensagem: a China vai produzir "muita RAM" em 2028. O mercado escolheu ouvir a segunda.

Por que a queda importa: US$ 150 bilhões em contratos

O contraste é o que torna a história interessante. Segundo a mesma nota do JPMorgan que Musk comentou, a Micron tem US$ 150 bilhões em carteira contratada, 26 contratos de longo prazo que cobrem mais de 35% da receita projetada até 2030 e mais de 75% da produção do próximo ano fiscal já vendida. Os clientes adiantaram US$ 32 bilhões em dinheiro para garantir fornecimento.

Isso porque a memória deixou de ser commodity barata. Há três anos, RAM era um produto de margem baixa — a própria Micron teve prejuízo de US$ 5,8 bilhões em 2023. A corrida da IA mudou tudo: sem memória de alta performance, nenhuma GPU treina modelos, e os preços da memória quase dobraram no último ano. A Taiwan Semiconductor surfou a mesma onda com lucro recorde no trimestre. No último trimestre, a Micron registrou receita recorde de US$ 54,2 bilhões.

A DRAM, onde a ameaça chinesa é mais direta, responde por 73% da receita da Micron. A CXMT detém cerca de 9,5% do mercado global de DRAM — quarta colocada, atrás de Samsung, SK Hynix e da própria Micron. Analistas argumentam que a chinesa ainda está duas ou três gerações atrás na tecnologia e deve disputar o segmento de menor valor, enquanto a Micron colhe margens melhores no HBM, a memória usada nos data centers de IA.

Micron: o que o investidor precisa decidir

Com a queda, a ação da Micron passou a negociar a pouco mais de 4 vezes o lucro projetado pelos analistas — um múltiplo modesto para uma empresa com US$ 150 bilhões em demanda contratada. A manchete conta que a ação caiu 15%. O que ela não conta é se o mercado está precificando o fim do ciclo antes da hora — ou se a ameaça chinesa é real e chegou mais cedo.

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Fontes

Conteúdo informativo e educativo. Não é recomendação de compra ou venda de ativos.